Janeiro 27, 2021

A vida no país com menos casos de covid na América do Sul

Sem isolamento obrigatório, Uruguai tem os melhores números do continente

Sem isolamento obrigatório, Uruguai tem os melhores números do continente

David Borrat / EFE – Arquivo

O Uruguai segue como uma referência no combate à pandemia do novo coronavírus, com números invejáveis: pouco mais de 5,1 mil casos e 74 mortes, mesmo com um recente aumento nas contaminações, que quase dobraram desde meados de outubro.

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Sem confinamento, com a divulgação de informações, um sistema de saúde forte, um intenso trabalho de rastreio de contatos e contando com a colaboração da população, o país conseguiu ter o menor registro da doença na América do Sul.

Proporcionalmente, os números uruguaios — 1,4 mil casos por milhão de habitantes e 21 mortes por milhão — são os melhores do continente com folga. A Argentina, com 30,7 mil casos por milhão e o Peru, com 1085 mortes por milhão, têm os piores resultados. O Brasil tem 29 mil casos e 800 mortes por milhão, além dos maiores números absolutos.

O R7 conversou com brasileiros que vivem no país vizinho para saber suas experiências e saber como estão lidando com a ameaça do coronavírus longe de suas famílias.

Sozinha em casa

Para a gaúcha Leandra França, 46, que há 3 anos mora em Montevidéu, tem sido um período complicado. Ela está há 8 meses sem trabalhar, vivendo com um subsídio dado pelo governo para trabalhadores que tiveram suas atividades suspensas, semelhante ao seguro-desemprego brasileiro, e disse que é uma experiência bastante “desafiadora”.

Leandra mora em Montevidéu há 3 anos

Leandra mora em Montevidéu há 3 anos

Arquivo pessoal

“Estar somente em casa e também sozinha, longe da família (todos estão no Brasil) não é nada fácil. Pensando positivamente, é um ano de descobertas pessoais, reflexões e o desejo de fazer e viver diferente, a partir disso tudo que ocorreu no mundo”, afirma ela.

A ação do governo e a contribuição dada pela população foram dois fatores que, para ela, explicam a relativa segurança vivida pelos uruguaios durante esse período, além de as regras de seguro para trabalhadores em confinamento terem sido estabelecidas desde o início.

“Acho que o governo agiu muito rápido, desde o primeiro momento decretou o fechamento de alguns estabelecimentos, aeroportos, fronteiras, além da própria população que aderiu à quarentena voluntária e, com isso diminuiu drasticamente o número de pessoas em circulação na cidade”, relembra.

Leandra afirma que se sente segura no Uruguai e com a decisão de esperar longe da família, mas que agora começa a se preocupar um pouco. “Os casos estão aumentando e temos a sensação de relaxamento por parte de alguns grupos, especialmente dos jovens, que vão a festas, churrascos e bares”, conta.

Tranquilidade na zona rural

O autoisolamento tem sido mais forte nas cidades, onde a densidade populacional é maior, mas no campo a vida tem sido mais normal para o curitibano Rafael Kalinovski, que mora com a esposa em uma propriedade na zona rural de San Carlos, a cerca de 130 km de Montevidéu.

“Como o turismo interno está aberto, convertemos parte da propriedade em uma fazenda para visitação, para passar o dia, e estamos conseguindo viver dessa forma, além do trabalho remoto”, conta Rafael, que também tem uma empresa em Curitiba.

Para ele, o combate à pandemia no Uruguai vai bem por uma questão cultural. “O povo uruguaio leva muito a sério isso de fazer a sua parte. Eles, por conta própria, se isolaram, sem o governo obrigar a nada. Você vai nos lugares e os próprios donos pedem que usemos máscara”, relata.

Preocupação do governo

Em uma coletiva nesta sexta-feira, o presidente do Uruguai, Lacalle Pou, disse que a principal preocupação do governo é com a chegada do verão, para evitar uma disparada de casos que possa colocar a boa situação do país em risco.

“É por isso que mantemos o fechamento das fronteiras, emitimos recomendações, e muitos pontos em que vamos trabalhar. Isso sim é uma preocupação. É preciso continuar pedindo que as pessoas mantenham essa convivência solidária, que é o que permite que no Uruguai a vida seja muito parecida à normal (anterior à pandemia)”, disse o presidente.

O sistema de saúde uruguaio, com uma estruturua que privilegia o atendimento domiciliar e, assim, mantém os hospitais mais vazios, além de uma grande estrutura de rastreio, também ajudam a explicar como o país tem sido dos menos atingidos pela pandemia.

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