Janeiro 16, 2021

UFRJ quer arrecadar R$ 400 mil para comprar terceiro maior meteorito do Brasil

Formado no mesmo período que o Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos, um meteorito de 1,5 tonelada, o terceiro maior do Brasil, está na mira da Fundação Coppetec, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O órgão faz uma campanha para arrecadar R$ 400 mil para comprar e transportar o objeto de Campinorte (Goiás), onde caiu há mais mil anos.

Até o momento, a campanha arrecadou R$ 12.305. Se os organizadores conseguirem arrecadar o valor, a peça ficará exposta no Museu de Geodiversidae da UFRJ, no campus da Ilha do Fundão. O artefato tem mais de 90% de ferro, 7,5% de níquel, 0,58% de cobalto e 0,5% de enxofre, composição faz dele faça com que seja classificado como um item não grupado.

O meteorito Campinorte tem 1,5 metro de largura e 76 centímetros de altura. Em outros momentos, ele chegou a ser oferecido por um milhão de dólares, o que inviabilizou as negociações. O valor é R$ 350 mil. A diferença, de R$ 50 mil, é para o transporte, encarecido devido ao peso da peça.

A professora Elizabeth Zucolotto, especialistas em Ciência Meteorítica no Brasil, astrônoma e pesquisadora do Museu Nacional da UFRJ, atestou a relevância científica do meteorito e participa da campanha de arrecadação.

“Não há outro meteorito com as características dele no mundo. Por essa composição, ele é um item não classificado. Gostaríamos muito que ele ficasse no Brasil. Se não conseguirmos atingir esse valor, é provável que ele vá para fora do país, algo que todo mundo lamenta quando acontece, mas poucos se dispõem a contribuir para evitar esse destino”, afirma.

Inicialmente, foi proposta a compra do meteorito pelo Museu Nacional, o maior de história natural do país, que precisará investir em novas coleções após o incêndio que destruiu seu prédio histórico e boa parte do acervo em setembro de 2018.

No entanto, por sua natureza resistente, a coleção de meteoritos não sofreu danos. Assim, os recursos serão destinados prioritariamente para áreas mais impactadas pela tragédia e para a recuperação do espaço físico. Assim surgiu a ideia de levá-lo pelo Museu de Geodiversidade, por meio de um financiamento feito pela Coppetec.

“Eu sou do Museu Nacional, mas minha causa é a Ciência Meteorítica. O importante para nós é que ele fique no Brasil, e que possa ser estudado. Em qual museu vai ficar, para mim, não faz muita diferença”, conclui a pesquisadora.

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